O fluxo de informação é hoje mais elevado e acessível do que nunca. Todo o ser humano é impulsionado pelo desejo de saber. Por essa razão, não me admiro pela voracidade com que se consome informação através da web e redes sociais, sobretudo quando algo se torna “viral.”

Fluxo de informação

Porém, além do fluxo de informação que nos ajuda a construir uma imagem da realidade que nos rodeia, existe o fluxo da consciência que nos ajuda a ter uma percepção sobre dessa realidade, a sua origem e para onde se dirige. O desafio está na velocidade de consumo da primeira, em relação à velocidade de reflexão da segunda.

Passar do saber ao compreender é um passo que nem todos dão. Não porque não sejam capazes disso, mas por que os tempos são diferentes. Demora sempre mais tempo a compreender uma coisa do que a sabê-la. E o risco que corremos é o de deixar de duvidar daquilo que achamos saber para aprofundar o que sabemos até compreendermos. Isto tem um impacto directo no que diz respeito ao diálogo entre ciência e fé.

A fé não é um acreditar piamente em algo que não compreendo, mas antes o acto de confiança de que a procura perante a dúvida vale a pena.

Um dia chegaremos lá.

Mas se queremos chegar rapidamente e a velocidade de consumo de informação se incompatibiliza com a velocidade de reflexão da consciência, perdemos a paciência e passamos a acreditar no que nos dizem sem pensar.

Cuidado!

A dúvida é fundamental para que o ser humano seja cada vez mais humano. A dúvida é aquilo que nos permite compreender melhor o mundo através da ciência e perceber o seu sentido e significado através do aprofundamento da nossa fé.

Há quem apele os crentes de dogmáticos como se acreditássemos em coisas sem as questionar. Nada podia estar mais longe da realidade. O dogma é um retomar sistemático de uma experiência de fé para a compreender com base na experiência, não com base numa ideia sobre o conteúdo. Os dogmas são vividos a cada instante por quem assume a sua vida religiosa para se tornarem pontos experimentais de experiência de vida.

Neste sentido, com o consumo exacerbado de informação, com o bar aberto de dopamina através do entretenimento providenciado pelas redes sociais, a religião vivida intensamente por uma pessoa é aquele espaço de reflexão que equilibra o nosso desenvolvimento cultural. Quando esse espaço não existe, a velocidade excessiva da informação não é processada e o mais certo será perdermos o controlo, passando a aceitar tudo e mais alguma coisa sem pensar.

E se não pensamos… seremos ainda humanos?

pensar ser humano